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quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Clareando as idéias

Cartas Marcadas é uma obra de ficção idealizada em 2002, como roteiro para um longa-metragem intitulado Sutis Diferenças. O filme nunca chegou a sair do papel, mas uma nova centelha foi acesa dois anos depois, quando li uma entrevista com o escritor argentino Tomás Eloy Martinez. Eloy é especialista em misturar ficção com realidade para tratar de temas caros à alma e à história argentina, como os mitos do peronismo, o tango e a eterna decepção com os políticos. Em seus romances a mistura é tão verossímil que a discussão sobre o que é fato e o que é invenção confunde até os historiadores, provocando polêmicas que ele nem perde tempo em esclarecer. Sua técnica consiste em contar acontecimentos falsos como se fossem fatos reais, como se fosse jornalismo. Para ele, o romance é um jogo, aceitá-lo como real é um problema do leitor. “Políticos e escritores são especialistas na arte de mentir”. A palavra romance, impressa na capa de um livro, significa fábula. É tudo mentira!

Resolvi transformar o roteiro em romance no início de 2005 quando despontavam os primeiros indícios de uma crise política que consumiria o país. Lembrei da entrevista de Eloy Martinez e pensei por que não colocar a ficção dentro da realidade como se os personagens da trama interagissem no cenário político que invadia a mídia numa velocidade estonteante? A idéia ganhou força, cresceu naturalmente e ampliou sobremaneira o universo original da obra.

Alguns personagens fictícios foram baseados em personalidades do mundo real, enquanto que outros, bastante reais, foram trazidos pela enxurrada de denúncias que tomou conta do país durante mais de seis meses. Quanto aos últimos, cabe a você, leitor, imaginá-los, pois não são dados nomes aos bois.

Verdade e ficção caminham aqui de mãos dadas, na tentativa de ajudá-lo a entender o complexo mundo da realidade.

O autor

Este foi o prefácio do meu livro, sobre o qual falarei na próxima postagem.

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