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quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Trocando em miúdos


Quem não tem cão, caça com gato. Quem não tem emprego, inventa um. É possível, com um pouco de imaginação, prever como se sairá um gato numa caçada; mas como prever o resultado de um emprego que ainda nem inventamos?

O brasileiro é pródigo em respostas para esta questão. Basta andar pelas ruas e constatar as variadas formas encontradas para sobreviver sem cometer delitos. Os camelôs e sacoleiros são exemplos clássicos dessas soluções.

Feito um exilado em Marataízes tinha de inventar um gato para a minha caçada. Voltar a São Paulo era uma alternativa praticamente inviável, pois o mercado de trabalho há muito já não aceitava gatos por lá, tampouco cães vira-latas. Era preciso ter pedigree testado e aprovado por headhunters cada vez mais exigentes. Teria de reinventar-me!

A palavra certa, porém, não era reinventar-se e sim redescobrir-se. Tinha talentos que nunca foram aproveitados como deveriam na minha carreira profissional. Escrever e desenhar eram dois deles. Passei muito tempo redigindo bons memorandos, relatórios, até mesmo e-mails que se dissolveram feito açúcar na água dentro das empresas em que trabalhei. Minha experiência como desenhista foi bem melhor e teve seu auge na época da faculdade, lá pelos anos oitenta. Foi a época do Pauli, uma fração da palavra “paulista”. O Pauli foi morrendo à medida que avançava a carreira de executivo.

Esse era o caminho. Mesmo sem condições propícias comecei a escrever em folhas de papel e depois em caderninhos comprados no R$ 1,99. Saíram dessas anotações as Crônicas do Bairro do Juá que ainda vão virar O Mergulho do Paulista. Certo dia lembrei-me que havia escrito um roteiro para um longa-metragem chamado Sutis Diferenças, quando ainda morava em São Paulo. Por sorte tinha colocado o calhamaço na mala quando parti.

Fazer o quê com um roteiro de filme em Marataízes? Decidi transformá-lo em livro. Assim surgiu meu primeiro romance, Cartas Marcadas, publicado em maio deste ano pela Booklink Publicações, a editora ideal para quem sonha em ser escritor e não tem um centavo para investir.

Acho que estou encontrando meu gato!

2 comentários:

Roan disse...

Bom dia Paulo Araujo (escritor), Pauli (ilustrador), acabo de acessar seu Blog. Parabéns pela iniciativa. Você sabe que eu já li seu livro e gostei muuito porque é um livro cinematográfico, que leva o leitor de cena em cena rapidamente, de um só fôlego - e em plena capital paulistana.
Sucesso e até breve,
Roberto Albarros

Henrique disse...

Olá Pauli! (Sempre Pauli).

Já que você "era" desenhista na década de 80, na facu, será que levou na bagagem aquele gibi feito com o Marcus?

O Aruaí.