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segunda-feira, 26 de novembro de 2007

A volta de quem não foi


Navegando tranquilamente pelo Maratimba, constatei que desde o início de novembro não apareço por aquelas bandas, isto é, desde Alice no país do leite longa-morte, não publico nenhuma crônica por lá. “O que estará acontecendo?” podem estar se perguntando todos os meus incontáveis (espero) leitores. “Será que ele desistiu? Arrumou outra coisa para fazer? Foi embora da cidade? Ganhou na loteria?”

Desculpe frustrar aqueles que, por ventura, tenham traçado teorias mirabolantes para explicar meu sumiço. Não, absolutamente não tem nada a ver com o Código Da Vinci, nem com qualquer outro livro de Dan Brown. Também errou quem achou que eu estava em convalescença devido a um coquetel de leite longa-morte com água mineral de alguma das doze marcas proibidas no mercado capixaba, mas ainda com estoques nos supermercados. Frustro também aqueles mais radicais que, devido ao meu suposto envolvimento com essas novas drogas, já imaginavam meu rapto pelas forças de elite do Capitão Nascimento e que provavelmente já estaria ensacado em algum porão ouvindo seus sermões sobre os viciados de classe média que alimentam o tráfico de drogas e sustentam os traficantes. Também errou feio quem achou que eu fiquei perdido em algum saguão de aeroporto à espera de um vôo que nunca chega. Da mesma forma cometeu engano terrível quem achou que eu estaria preso em alguma cela de Caracas depois de ter ficado frente a frente com o caudilho bolivariano e falado em alto e bom som: ¿Por qué no te callas? Assim como estará completamente equivocado quem sequer imaginar qualquer ligação do meu sumiço com a descoberta de petróleo em águas profundas, tão profundas que podem nunca ser alcançadas e, assim, deixar o futuro magnata do petróleo a ver navios, ou melhor, plataformas!

Refutada assim toda e qualquer teoria conspiratória esclareço que estou de volta, mesmo sem ter ido a lugar algum. Fiquei por aqui mesmo, em Marataízes, mais precisamente no jardim de casa ou sentado na frente do computador. Do jardim, chegam as últimas novidades. O gambá que tão atrevidamente entrara por uma fresta na base de concreto do portão e ali ficara como meu novo hóspede, foi embora sem dar qualquer satisfação, para alívio de um casal de passarinhos que fizera ninho na goiabeira e ali depositara dois ovinhos. Os ovinhos já foram chocados e os dois filhotinhos passam ali o dia inteiro de biquinhos abertos e tão sedentos por comida quanto os mensaleiros à espera de malas recheadas de dinheiro. O abacateiro já está carregado de frutinhas, o que me faz prever que tomarei muita vitamina de abacate ano que vem, espero que sem problemas com o leite longa-morte. Bidú, meu ex-cachorro, foi quem de fato sumiu, justamente depois de virar papai de quatro cachorrinhas. Sabe-se lá Deus por onde andará Bidú! Se, por acaso, algum de vocês, encucados leitores, ver um cachorrinho Beagle de orelhas compridas, quase arrastando no chão e rabinho preto com pontinha branca andando atabalhoadamente pelas ruas de Marataízes, deixe um comentário aqui no blog.

Sentado à frente do computador, entreguei-me à maratona literária internacional com o objetivo de escrever 50.000 palavras em 30 dias. O mês ainda não acabou e eu já estou quase lá, foram até agora 46.184 palavras de um futuro romance intitulado “Ninho de cobras”. Quem sabe até o momento de esta crônica ser publicada no Maratimba eu já tenha vencido o desafio e concluído o grande rascunho de meu próximo livro? Quem sabe também por onde andará o gambá que já foi motivo de outras crônicas? Ou, quem sabe ainda, aquele monte de pedras que estão atirando na praia central seja mesmo o início de uma nova fase na vida de Marataízes. Quem sabe?

Um comentário:

Éverton Vidal disse...

Hahahaha ótimo texto!
Quem sabe nao é?
Estou levando a imagem do abacate. Abraço. Inté!