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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Altos e baixos


Estão vendo os figuras aí da foto? O grandão é bem conhecido, até já esteve no Brasil. É Bao Xishun, 56 anos, o homem mais alto do mundo com 2,56 m. O pequeno, que não é nenhuma criança, é He Pingping, 19 anos, o homem mais baixo do mundo, com 0,73 m. Encontraram-se na Mongólia, onde posaram para esta curiosa foto. Os dois estão se preparando para participar de um carnaval em Madri, na Espanha. A diferença de altura entre eles é de 1,83 m, ou seja, quase um jogador de basquete ou um goleiro de futebol. Os dois naturalmente farão sucesso por onde passarem, serão alvo da curiosidade pública e marcarão presença em todas as telas de televisão, cada vez mais sedentas por atrações bizarras. Olhando para esses figuras aí fico pensando na mania quase obsessiva como muitas pessoas têm cultuado seus corpos, seja malhando até não poder mais nas academias, fazendo cirurgias plásticas sucessivas ou entupindo-se de próteses, silicones, botoxes e quaisquer outras novidades lançadas pelos famosos (sempre eles!) com pompas e circunstâncias. Tudo para alcançar o corpo perfeito, como se ele existisse. O corpo, esse, às vezes endemoninhado, às vezes endeusado invólucro humano. De uma coisa apenas eu tenho certeza, decorridos mais de vinte séculos o homem ainda não conseguiu ficar à vontade com ele.

Ver a coisa apenas pelo lado moral já traz uma porção de inconsistências, para não dizer hipocrisias. E é justamente nesse ponto que eu fico tentando entender qual é afinal a relação do homem com sua nudez. É para ser escondida? É para ser mostrada? Pode? Não pode? Quando pode e quando não pode? Em ambiente fechado é permitido? Em público é atentado ao pudor? Por favor alguém aí me ajuda porque eu já não estou entendendo mais nada... A moça está num baile funk, ambiente fechado, só está ali quem quis entrar, quem gosta do que está rolando. Um dj ou mc ou líder do grupo do som oferece uma grana boa pra quem tirar a roupa e dançar pelado. A moça encara, não amarela, dá o show e acaba virando caso de polícia. Por quê? Atentado ao pudor. Pudor de quem? Dos que estavam lá dentro e curtiram ou dos que estavam fora e não viram nada? Coisa estranha esse negócio de atentado ao pudor... Fico imaginando uma mãe toda cheia de moral e bons costumes condenando a moça do baile funk, porque ficou pelada em público restrito sem receber o dinheiro prometido, e, ao mesmo tempo, toda orgulhosa com a filhinha que pousou para um nu artístico, vai circular por milhares de mãos pelo país afora e quem sabe comprar seu primeiro apartamento ou carro à custa do nu artístico. A moça do baile funk, uma desconhecida, teve seus mais de quinze minutos de fama ao se defender, dizendo que não fez nada de errado, não matou, não roubou... Bombou legal na internet e foi esquecida. Esquecida porque logo em seguida chegou o carnaval, a suprema festa nacional da exibição de corpos, a céu aberto, ao vivo e em cores.

Antigamente o carnaval era a festa dos foliões, passou a ser dos carnavalescos, dos famosos e agora é também a grande festa dos cirurgiões plásticos, a grande vitrine onde eles expõem seus produtos. Tem um aí que usa a própria mulher como merchandising, uma digna merecedora do Guinness, mais de quarenta plásticas espalhadas por um corpo quase todo descoberto no Sambódromo e onde mais houver passarelas de exibição, com direito até a anunciar que virará japonesa, o marido vai esticar seus olhos e – surpresa das surpresas! – voltará a ser virgem, graças novamente ao maridinho, ou maridão?

Enquanto as escolas seguem, falta apenas surgir medidores de silicone para ver quem tem mais ml de peito. De repente aparece uma completamente nua na avenida, mexendo e remexendo aquele corpão malhado de modelo, o que me traz logo uma dúvida cruel a atormentar minha cabeça quase tanto quanto o atentado ao pudor. Por que será que todas as mulheres que surgem assim do nada com aqueles corpões exuberantes dizem que são modelos? Alguém será que parou pra pensar que as verdadeiras modelos vivem brigando com a balança e sempre às margens da anorexia? Mas, voltemos à modelo nua na avenida, ou melhor, quase nua, porque, ao contrário da moça do funk, ela teve a preocupação de vir para o tudo ou nada com um tampão microscópico que, além de não tampar nada, ainda se perdeu pelas vias de regra. A escola também perdeu pontos que quase a levam para o grupo dois, mas a modelo ficou eufórica, afinal, é forte candidata ao Guinness com o menor tampão do mundo. Vai ganhar, é claro, e trará ao Brasil mais um título de inestimável valor.

Felizes Bao Xishun e He Pingping, fazem sucesso vestidos e sem bisturi.

Um comentário:

arlene disse...

Parabéns Paulo,e parabéns tbm a esta pacata cidade do sul ES(Marataízes). Ter um jornalista desta categoria é bom demais.
Poder interagir,com historias e dicas de grandes autores é previlégio agora, só de Marataízes.
Parabéns mais uma vez.