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sábado, 24 de maio de 2008

Ah, os vestidos!

Há muito tempo não via novelas, mas, recentemente, acompanhei “Desejo Proibido” durante o horário zen das seis da noite. Quando a novela acabou deixou em mim uma espécie de nostalgia. O enredo, os atores, uma certa inocência mineira foram determinantes para colocar-me em frente ao televisor; porém, a saudade específica que ando sentindo é de outra natureza. Ah, os vestidos! Fazia tempo que não via, diariamente, tantas mulheres feitas, moças, meninas tão bem colocadas dentro de seus vestidos, esse espécime em extinção do guarda-roupa feminino. Uma pena, porque até hoje ainda não encontrei nada que combine melhor com o corpo feminino, não importando a idade, classe social, estatura ou aparência. Talvez este sentimento seja tão forte em mim devido à minha idade, a qual me proporcionou a felicidade de crescer admirando a elegância de meninas, jovens e mulheres realçadas pelas suas formas, cores, tecidos, cortes e leveza. Tudo, enfim, que põe em evidência a presença de uma mulher.

Nas minhas lembranças de adolescente o vestido tem uma simbologia única. Era o tempo em que conquistar uma garota exigia de nós, garotos recém chegados à puberdade, muita astúcia, sensibilidade, coragem e persistência; principalmente persistência. Bem diferente da geração atual que “fica” e “torpedeia” com tal rapidez que mal sobra tempo para saborear a conquista. A simples visão de um vestido nos deixava em estado de alerta, era um componente visual tremendamente eficaz e que despertava em nós o encanto e, ao mesmo tempo, o desafio da aproximação. Durante muito tempo mantive na minha mente a imagem de vestidos dançando ao sabor do vento, espalhando graça e feminilidade aos olhos deslumbrados de rapazes apaixonados. O vento que levanta a saia da donzela é o mesmo que joga areia nos olhos do mancebo entusiasmado. Bons tempos...

O que mais vejo hoje pelas ruas são calças. Jeans desbotados, agarrados ao corpo, alguns até rasgados, aparentemente sujos, geralmente acompanhados por tênis assexuados que em nada lembram os belos sapatos, outro ícone do vestuário feminino da minha geração. E o que dizer das calças com cinturas tão baixas que chegam a causar desconforto a quem observa suas usuárias abaixando-se repentinamente e sem aviso prévio? Sinto falta da elegância proporcionada pela simplicidade de um vestido, a postura corporal adequada a ele, a homogeneidade dos demais acessórios tão bem combinados, o que dava à mulher a sensação de estar sempre parecendo que ia ou voltava de uma festa. Ressalte-se, entretanto, que essas são sensações de quem viveu outra época e tem consciência de que essa elegância já não compõe o perfil das jovens atuais e, muito menos, de seus pretendentes. Por isso, a satisfação quando me deparo com as “resistentes”, como a menina que acabei de ver passar aqui no shopping de Cachoeiro, onde escrevo. Passou com seu andar apressado dentro de um vestido bem colorido, fones nos ouvidos, escutando seu mp3. Como está na moda o estilo retrô nos carros, móveis e outros produtos de consumo, ainda tenho esperança no retorno dos vestidos simples, como simples devem ser os encantos femininos.

2 comentários:

Anônimo disse...

Matou a pau, Pauli. Concordo em gênero, número e grau (será que é pq temos idades próximas?).
As mulheres de hoje esqueceram (ou nem aprenderam) o quanto é glamuroso se vestir e se portar como mulher.
Acompanho as garotas de hj pq tenho uma filha de 20 anos. Elas nãos se esforçam nem um pouco em ser, um tantinho de nada, femininas.

Rubens disse...

Grande Paulo, acertou na mosca com o meu pensamento, afinal também sou da mesma faixa de idade né? O que eu percebo, e muito pois tenho uma filha de 17 (quase 18) anos é que elas parecem que usam uniformes, calças jeans e camisetas curtas, tá parecendo aquelas imagens da China nos anos 70, todo mundo igual, da mesma cor, uma tristeza.
Grande Abraço...