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domingo, 26 de outubro de 2008

Encontro na livraria


Galeria Primus, final do corredor à direita. Ali se localiza a Livraria Companhia do Saber, talvez a única de Cachoeiro de Itapemirim. Digo talvez, para não ser injusto, caso exista mais alguma e eu não saiba. Era um dia qualquer, de um mês qualquer de 2006, não me lembro. Cheguei quase que por acaso, ansioso que estava para publicar meu primeiro livro. Todo escritor já deve ter passado por isso, aquela sensação de que temos nas mãos uma revolução literária prestes a ser descoberta. O motivo de eu ter chegado lá era a procura por informações a respeito de uma tal de Booklink, a razão dessa busca era a total falta de dinheiro para bancar uma publicação nos moldes tradicionais. Depois de um tanto de conversa com o Alexandre, estava decidido a investir uma pequena quantia na publicação do livro sob demanda, mais uma dessas coisas que a internet propicia.

Roberto Albarros entrou na livraria, igualmente movido pelo ofício de escrever, a diferença é que ele já tinha livros publicados por meio de editora própria. Fomos apresentados pelo Alexandre e logo estávamos sentados em volta da pequena mesa conversando sobre literatura e livros. Ele estava empenhado na divulgação da segunda edição do seu romance “A incrível história da cidade dos pergaminhos perdidos”. Vai daí que surgiu o convite para que eu ilustrasse a terceira edição, a qual ele pretendia lançar no ano seguinte. Ele não conhecia meu trabalho como ilustrador, mesmo porque, desde minha formatura, em 1984, pouco me dedicara à ilustração. Lembro de ele ter relatado que havia solicitado a ilustração da capa a uma desenhista de Cachoeiro, e que não ficara satisfeito com o desenho de um tucano, justamente uma das poucas aves que não aparecia no texto. Roberto não tinha ainda muito claro o que queria, mas pensava em algo parecido com os desenhos de Caribé em livros de Jorge Amado, traços ligeiros sugerindo formas de animais, sem muito rebuscamento. Entregou-me um exemplar do livro dizendo que não havia pressa, seria coisa para o próximo ano. Como tinha todas as atenções voltadas para meu romance à beira da publicação, li o livro dele sem nenhuma preocupação a respeito do conversado, achava mesmo que ele também não voltaria a tocar no assunto tão cedo.

Mas voltou! Uns quatro ou cinco meses depois, já em 2007. Assim, repentinamente, lá estava eu cercado de cachorros, gatos, javalis, quatis, cavalos, zebras, patos, galinhas, corvos, papagaios, uma bicharada fantástica! Quando terminaram os Jogos Pan-Americanos, no Rio de Janeiro, terminava também minha jornada, a qual resultou nas ilustrações em preto e branco e na capa colorida da terceira edição do fascinante livro do Roberto. Posso dizer que ele estava tão empolgado com o trabalho, a ponto de sugerir que as ilustrações fossem coloridas. Não foram porque eu o dissuadi da idéia, alegando que ficaria muito infantil. Bom, hoje reconheço que ainda não conhecia muito bem meu cliente, coisa que passou a acontecer ao longo desses quase três anos que trabalhamos juntos. Se já o conhecesse como o conheço agora, não hesitaria em seguir sua sugestão. Ele é o tipo de pessoa que confia profundamente no seu trabalho e não mede esforços para melhorá-lo continuamente.

Quase um ano depois da publicação, ele voltou a tocar no assunto das ilustrações coloridas, o que desta vez, já não me causou estranheza, justamente porque o livro ilustrado e com alterações no texto tornava-se bastante atraente para os pequenos. Assim, embrenhei-me novamente no mundo mágico de Redondel com a missão de preenchê-lo de cores. Foi praticamente um novo trabalho, pois tive de refazer todas as ilustrações para o formato de página inteira. As cores trouxeram com elas novas emoções para ambos e, tenho certeza, trará também para seus leitores. Não imaginava, porém, que veria o livro pronto tão cedo e aí, mais uma vez, o Roberto me surpreendeu. No último sábado, 25 de outubro, estávamos novamente lá na Livraria Companhia do Saber, participando do lançamento da “Incrível história...”, juntamente com a segunda edição de “Pindorama”, o qual desenvolvi a capa. Ao todo já são quatro trabalhos que produzimos juntos, já que este ano também fiz a capa do seu livro “Diálogo com a solidão”. Assim, de um encontro casual, surgiu não só uma promissora parceria como uma genuína amizade.

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