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terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Meu fusca explosivo




Foi em 1983, eu morava em São Bernardo do Campo e trabalhava no Cambuci. Comprei meu primeiro carro, um fusca 1961 de um colega de trabalho. O fusquinha era vermelho, com peças cromadas, rádio original que não tocava e uma bateria de seis volts. Todo dia eu acordava bem cedo para ir ao trabalho e sempre dava carona a uma vizinha.

Um dia ela apareceu com uma amiga, uma bela morena. Eu, é claro, não neguei a carona. A amiga dela estreou o banco traseiro, até ali nunca ocupado. Quando descíamos uma rua muito comprida, elas ouviram um barulho debaixo do carro. A moça, assustada, falou que estava sentindo cheiro de queimado. Encostei o fusca, olhei embaixo e não vi nada. Ela, resignada, mudou de lugar e ficou atrás de mim.

Mais à frente entrei numa rodovia muito movimentada. Quando estava tentando trocar de faixa, aconteceu o estrondo e eu vi pelo retrovisor a moça ser levantada do banco, impulsionada pela pequena explosão. Branca que nem um fantasma, ela gritava: Fogo! Fogo!

Parei o fusquinha em cima da calçada, saindo fumaça por todo lado. Dois homens me ajudaram a tirar o banco traseiro quase todo tomado pelas chamas. O incidente aconteceu porque a bateria ficava debaixo do banco, bem onde a moça havia sentado; seu peso fez a mola resvalar nos polos da bateria e causar a explosão. Passado o susto, comprei outra bateria e continuamos a viagem, mas sem a moça que preferiu ir de ônibus.

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