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sábado, 7 de fevereiro de 2009

Crítica em estado crítico


Olá amigos internautas, aqui é o famoso crítico literário Caio A. Narfa. A partir de hoje, sempre que puder, estarei comentando tudo aquilo que vale a pena ser comentado sobre o mundo dos livros. Minha proposta é fazer uma crítica livre, leve e solta de grandes clássicos da literatura universal. Isso mesmo, CLÁSSICOS, com CLA maiúsculo. Portanto, queridinhos, não esperem por aqui livros de autoajuda, gibis, mangás ou qualquer outra literatura de se ler em busão cheio ou em consultório de dentista porque eu abomino isso! Passei anos e anos me dedicando à leitura das grandes obras universais e agora quero dividir com voces tudo aquilo que li e reli nesses anos todos. Como já disse, não vou dar mole porque sei que brasileiro não é muito chegado a leitura. Por isso, vão preparando seus neurônios para uma verdadeira dissecação de um dos livros mais difíceis de ser entendido. Estou falando, é claro, do enigmático O PEQUENO PRÍNCIPE!

Gente, que livro complicado! Graças a Deus não caiu no vestibular que eu fiz para o curso de Letras porque naquela época eu ainda estava na terceira tentativa de decifrar essa história tão confusa. Hoje, modéstia à parte, já me tornei um PHD em Pequeno Príncipe. Bom, mas vamos ao que interessa. Esse livro, se não me falhe a memória, foi escrito lá pelos anos 40 por Antoine – se fala Antoane, viu! - de Sent... huummm... Exu...não... Ezuperi, ou algo parecido, isso não importa. O escritor era um piloto da Esquadrilha da Fumaça ou da Força Expedicionária Brasileira, uma coisa assim, ele foi um péssimo desenhista antes de se espatifar com o avião no deserto do Saara. Olha só, o livro tem dois personagens principais, esse piloto aí e um pivete metido a príncipe. Nenhuma mulher. Agora, eu vou contar um segredinho que poucos críticos sabem. A razão por não ter nenhuma personagem feminina é porque se tivesse alguma, as crianças iam chamar a talzinha de heroína. Já pensou um livro lido por milhares de crianças e fazendo apologia às drogas! Seria um escândalo naquela época!

Vamos em frente. Esse piloto paraibano com nome de francês caiu no deserto, dizem que foi pouso de emergência, mas o fato é que ele era ruim de braço não só pra desenho. Depois da queda ele deu uma cochilada e foi acordado por um pentelhinho loirinho, com roupinha de jardim da infância, pedindo pra ele desenhar um carneirinho. O Mané, então, fez o único desenho que sabia fazer: uma jibóia. Por favor, não perguntem por que logo uma jibóia. Na verdade, era uma jibóia engolindo um elefante, mas que todo mundo achava que era um chapéu, por isso ele desistiu de desenhar e virou piloto. Entenderam? Eu avisei! Acontece que o pentelhinho loiro mandou na bucha que não queria uma jibóia, mas um carneirinho. Também não me perguntem por que logo esse infante misterioso conhecia tão bem uma jibóia. O fato é que o paraíba, querendo engabelar o pivete, desenhou uma caixa com três furinhos e o pentelhinho adorou, disse que era exatamente o que ele queria! Até aí ninguém tinha bebido nada.


Conversa fiada vai conversa fiada vem, o piloto ficou sabendo que o acerola loirinho era um príncipe de um planetinha mixuruca centena de vezes menor do que Plutão, que nem planeta é mais. Pois é, enquanto o paraíba tentava consertar o avião, o pivete ficava numa lengalenga por causa de um carneiro que queria comer a florzinha metida a besta que ele guardava numa caixinha de vidro pra boneca não pegar arzinho frio, enquanto ele tinha que todo dia arrancar uns pés de baobás pra raiz deles não rachar o planeta. O dia inteiro ele ficava tapando vulcãozinho que soltava pum. Era muito trabalho pra um pivetinho loiro só e aquela metida daquela florzinha azucrinando o quengo do pivete até que ele abandonou o planetinha e caiu justo no mesmo lugar do piloto. Ah, nem te conto! Antes de ele encontrar o avião, adivinha só qual a primeira coisa que ele viu quando chegou na Terra? Pois é, uma serpente, uma cobra, sacou? Não estou insinuando nada, só enfatizando a coincidência. Essa cobra aí, além de falar era cheia dos enigmas, só faltava fumar! Quem é mais jovem não vai entender, mas os tiozinhos sacaram a ligação da cobra que fuma com a Força Expedicionária Brasileira... chá pra lá!


Depois de o pivete dar umas bandeadas pela areia, encontrou a tal raposa melindrosa. Presta atenção agora porque essa é a chave do enigma do livro: a raposa, toda dengosa, pede para que o pivete a cative, porque ele ainda é um garoto igual a cem mil outros e ela igual a cem mil outras raposas e que, por causa disso, ainda não necessitam um do outro. Se ele a cativar serão únicos um para o outro. Sacaram a profundidade da proposta da raposinha pedófila? O pivetinho não, ficou pensando na florzinha que ele deixou no planetinha improdutivo que, a essas alturas, já devia estar invadido pelos sem-terra intergalácticos. Desapontada, a raposa carente diz adeus, mas deixa uma mensagem fascinante que, com certeza, foi decorada por quase todas as candidatas a miss qualquer coisa: só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos. Huummm....


Uma semana depois, o aviador, carregando o xaropinho infantil no colo caminha a esmo pelo deserto tentando encontrar água e ainda tem de ouvir o pentelhinho dizer que o que torna o deserto belo é que ele esconde um poço em algum lugar. Fosse eu, largava ele ali mesmo! Finalmente encontram um poço e matam a sede sem pressa. Ao amanhecer, o menino pede para o aviador ir embora e não esquecer de desenhar uma mordaça para o carneiro não comer a florzinha. Justo pra quem ele foi pedir! No outro dia o paraíba volta e vê o pivete no alto de um muro conversando com aquela cobra do começo, ta lembrado? A cobra foge ao ver o piloto e o pivete diz que esta noite estará fazendo um ano que ele caiu ali, e quando o aviador olhar o céu ele estará rindo em uma estrela e será como se todas as estrelas rissem. Pede para o piloto não aparecer esta noite, pois pensará que ele estará morrendo. Teimoso, o paraíba volta carregando as tralhas todas que desenhou e vê o principezinho tombando sem nem fazer barulho por causa da areia. Vê apenas um clarão amarelo perto da perninha dele. Seis anos depois, expulso da Esquadrilha da Fumaça, sob suspeita de ter sequestrado um menino de rua, o paraíba olha para as estrelas e tem certeza que o pivetinho loiro voltou para o planetinha dele e que adulto nenhum entenderá que isso possa ter tanta importância! Fico só imaginando a cena: tamanho homão olhando pro céu querendo ver estrela rindo...


Gente, que coisa mais psicodélica! Passei boa parte da minha vida refletindo sobre isso, a cobra no muro, a perninha manchada, o pivetinho rindo numa estrela e todas as estrelas rindo pro paraíba! Que loucura! É por isso que eu digo como é importante a gente que tem o dom do entendimento para desvendar tudo o que está por trás de uma história tão complexa. Graças a Deus que eu, mesmo tendo abandonado o curso de Letras no segundo ano pra fazer bijuteria na praia, tenho essa capacidade e também a facilidade de esclarecer tramas misteriosas e aparentemente incompreensíveis como essa. Um beijo no coração e até o próximo clássico!

Um comentário:

Anônimo disse...

Teu exemplares do NYT estão no Maratimba. Abração, Manél