Translate

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Voltas por cima

Mais uma vez Ronaldo, o Fenômeno, calou a boca de muita gente, inclusive a minha. No dia 1º. de fevereiro coloquei a manchete abaixo no jornal The New Ynhok Times, como enviado especial Fox Paulistinha.





Na época foi engraçadinha, mas ontem o Ronaldo calou a minha boca, justamente contra o meu time. Ele, não só marcou dois golaços – o último de placa, como desestruturou o Santos em plena Vila Belmiro e deixou o Corinthians com praticamente uma mão na taça. Fiquei chateado? Claro, quem não ficaria? Minha chateação, porém, não vai além do jogo. Futebol à parte, fiquei muito feliz em vê-lo dar mais uma volta por cima na sua vida, como fez em 2002 quando muita gente dizia que ele não teria condições de se recuperar da grave lesão no joelho. Ele não só se recuperou à custa de muito esforço, dedicação e confiança, como decidiu a Copa contra a Alemanha e, com dois golaços deu o pentacampeonato ao Brasil.



Ronaldo foi reportagem de capa da revista VEJA, de 07 de abril de 2008, época em que ele se envolveu com travestis de quinta categoria e expôs mais uma vez seu lado não fenomenal. Acho que agora a revista está devendo uma nova reportagem, mostrando mais uma vitória deste craque da bola e das superações. Sim, porque sou jornalista e sei como a imprensa gosta de mostrar os decaídos, mas não tem a mesma presteza para acompanhá-los quando eles se levantam. Ronaldo chegou ao Corinthians totalmente desacreditado, sendo motivo de piadas por causa da sua falta de forma física. Esquecemos (me incluo nessa por causa da brincadeira acima), porém que craque é craque e que mais vale um Ronaldo gordo do que cinco Souzas magros. Em pouco tempo ele não só recuperou a forma física como também mostrou para uma nova geração de jogadores o que é sentir prazer pelo que se faz. Espero que o Adriano (ex Imperador) possa tirar disso uma lição e um incentivo para voltar atrás na sua decisão de dar um tempo ao futebol, justamente um esporte que reserva tão pouco tempo a seus praticantes. Ronaldo calou também a boca do vice-presidente do São Paulo que além de chamá-lo de gordo, chamou-o também de ex-jogador de futebol, numa indelicadeza maior do que o desabafo do jogador após eliminar o São Paulo com uma arrancada de moleque e com um gol dos seus áureos tempos de Fenômeno.



Sou santista desde criancinha, vi Pelé jogar e mais uma infinidade de craques da velha guarda. Naquela época os nossos ídolos eram como seres intocáveis, exemplos de vida. Pelé foi o maior representante dessa safra e até hoje ainda é sinônimo de bom exemplo, de atleta sem falhas humanas (embora todos saibam que isso é impossível). Ronaldo, ao contrário, representa o ser humano real, com todas as suas contradições, defeitos e qualidades. O que deve ser encarado como algo muito positivo porque, afinal de contas, somos todos assim, uns mais outros menos. O que não pode existir é esse dualismo entre jogador exemplo e jogador mau caráter. Romário é outro do time de Ronaldo, assim como Kaká pode ser considerado do time de Pelé, embora o melhor mesmo seja não cultuarmos rótulos e sim entendermos que o ídolo é apenas uma das muitas faces do homem ou da mulher que o encarna. Só assim poderemos entender o quanto é importante apreciarmos e tomarmos como exemplo de vida as voltas por cima que o ser humano é capaz de dar.

Nenhum comentário: