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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Conversa no ginecologista


Dia desses acompanhei minha esposa ao ginecologista. Era consulta de retorno para verificação de todos os exames que haviam sido solicitados. O médico, muito simpático e experiente, já tinha nos agradado na primeira consulta e eu considerei muito bom porque, para esta especialidade da medicina, é necessário um ótimo entendimento entre médico e paciente. Assim que entramos, fizemos os cumprimentos, ele checou os resultados dos exames e iniciou-se o seguinte diálogo:

Minha esposa: - Doutor, estou com os seios muito doloridos e inchados, desde que fiz o exame de mama. Também, não sei pra quê apertar tanto o peito da gente!

Ginecologista: - Aquilo ali, minha filha, é por que os médicos que realizam o exame dizem para as funcionárias apertarem, mas não dizem o tanto que elas devem apertar. Eu acho que eles deveriam demonstrar nelas mesmas. Quando elas sentissem a dor saberiam até que ponto devem apertar. Sem contar que as mulheres já não se “entendem” muito bem. Algumas apertam até mais do que deveriam quando o peito da outra é melhor do que o delas. Vou lhe receitar um anti-inflamatório e analgésico que vai diminuir as dores e abaixar mais o volume. Se bem que tem muita mulher hoje em dia fazendo de tudo pra ter seios grandes...

Minha esposa: - Ah, mas não é o meu caso mesmo.

Eu: - Coisa complicada é mulher, hein doutor...

Ginecologista: - E põe complicado nisso, por isso que eu decidi por essa especialização.

Minha esposa: - O senhor, quando morrer, vai pro céu, não deve ser fácil lidar com tanta mulher, todos os dias.

Ginecologista: - Já me acostumei, mas tem mulheres que eu proíbo de vir ao meu consultório no período pré-menstrual. Não tem acordo!

Eu: - E o senhor já conseguiu entendê-las?

Ginecologista: - Não! E ninguém nunca vai conseguir. Mulher e INSS você não pode levar a sério... Veja o meu caso, tenho quatro cachorras, três boxers alemãs grandonas que ficam fora de casa e uma pequena daquela raça chinesa que eu não lembro o nome agora...

Minha esposa: - Aquele que parece um pequinês?

Ginecologista: - Isso mesmo, essa fica dentro de casa. As outras três só do lado de fora. Sabe de quem foi a ideia de ter essa cachorrada toda? Da minha mulher. Ela queria por que queria ter um cachorro para proteger a casa, apesar de morarmos num condomínio com boa segurança, então compramos essa cachorra. Quando a cachorra deu cria, ela quis ficar com um filhote, mesmo eu argumentando que um cachorro era suficiente. Depois que a filha da cachorra também deu cria, ela quis, outra vez ficar com um filhote, outra cachorra. Ficamos, então, com a mãe, a filha e a neta...

Eu: - Três gerações de cachorras...

Ginecologista: - Pois é, e mais uma pequena que fica dentro de casa. Como eu sempre fui contra a ideia, fizemos um pacto: ela cuida de tudo, absolutamente tudo, eu não faço nada. Ela que compra ração, paga veterinário, leva pra passear, pra dar banho, e paga tudo do bolso dela...

Minha esposa: - Coitada, mas aí é muita coisa pra ela...

Ginecologista: - Coitada nada! Eu já li em um livro que não me recordo agora, o seguinte: tu és responsável por aquilo que cativas...

Eu: - O Pequeno Príncipe.

Ginecologista: - Isso mesmo.

Minha esposa: - Você também não é fácil, hein!

Ginecologista: - Ué, mas não foram vocês mesmas que brigaram por esses direitos, que queimaram sutiãs? A mulher que queimou até se arrependeu depois...

Eu: - Sutiã está caro...

Minha esposa: - Eu não, que não sou feminista. Pra mim homem é homem e mulher é mulher, não divido conta, não pago cinema, motel, não dou a moleza que essa mulherada de hoje dá pra homem!

Ginecologista: - Então você sabe como é mulher quando põe uma coisa na cabeça, não tem jeito de ela mudar de ideia, mesmo eu reclamando todo dia. A cachorra mais velha só está dando problemas porque normalmente a raça vive doze anos, ela já está com quatorze e não tem jeito de morrer. As outras duas não tem educação nenhuma, destroem o jardim, fazem cocô por tudo quanto é lado. Nossa empregada mais recolhe cocô do que trabalha. Quando eu saio de casa de manhã e uma escapa, eu aviso pelo celular que a cachorra fugiu e ela que cuide de ir atrás...

Minha esposa: - Nossa, e se a cachorra se perde?

Ginecologista: - Problema dela, eu estou saindo para o trabalho e vou ficar correndo atrás de cachorra! Todo dia eu reclamo, falo sempre as mesmas coisas, que essas cachorras estão acabando com o quintal, emporcalhando tudo e nada! Eu acho até que ela concorda comigo, mas não dá o braço a torcer. Porque qualquer pessoa normal percebe que ter um cachorro grande é razoável, mas três! É maluquice...

Minha esposa: - Será que não é problema de carência?

Ginecologista: - Agora você falou uma coisa boa! Vou falar pra ela isso hoje à noite. Vou falar que uma cliente minha, uma psicóloga muita famosa, disse que esse apego dela com as cachorras é carência que vem da bisavó, da avó, da mãe... lá de Freud, e que nem ele consegue explicar. Não vai adiantar nada, eu sei, mas é uma nova aporrinhação que eu vou colocar na cabeça dela!

Minha esposa: - Você vai falar isso mesmo?

Ginecologista: - Claro! E não vai adiantar nada. Quando eu comecei na medicina, trabalhava meio período no INPS e eles propuseram trabalhar em período integral. Eu fiquei matutando aquilo um tempo danado. Aí um médico amigo meu me tranquilizou: - esquece isso, mulher e INPS não é pra ser levado a sério...

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