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segunda-feira, 1 de abril de 2013

50 tons de quê, mesmo?


Versão júnior

Caraca, véio, saca só a parada sinistra que aconteceu comigo hoje de manhã, mano! Peguei o busão e tava o mó cheio, aí eu descolei um cantinho manero pra sentar. Tava lá curtindo meu sonzinho da hora, foi aí que eu me liguei na coroa sentada do meu lado. A velha tava lendo 50 tons de quê, mesmo?.. Ah, de cinza... 50 tons de cinza.É isso aí, mano, não tô zuando, cara, mó sério! Mó bizarro, cara! A coroa tava ligadona no bagulho! Até aí tudo bem, eu na minha e ela na dela. Punk mesmo foi quando ela olhou pra mim com um olhinho maroto. Pô cara, não sabia onde enfiar minha cara, vermelhei na hora, tá ligado!

Mó mico, cara, mó mico... a coroa virou pro meu lado e começou a falar do livro. Primeiro perguntou se eu já tinha lido aquela bagaça. Eu, é claro, fiquei na moita... Cê acredita que ela jogou assim na lata que eu tinha de ler porque aí eu ia saber como fazer as mina feliz? Pô, a velha podia ser minha vó, imagina minha vó falando aqueles bagulho comigo, quase piro! Aí ela começou a entrar em detalhes, cara, que a tal da Anastasia tinha feito isso e aquilo com o tal do Christian. Pelo amor, véio! A velha não parava de falar e o busão todo ouvindo e o meu ponto que nunca chegava nunca, mó punk, mano! Daí ela perguntou se eu já tive alguma fantasia e eu dei uma de migué, disse que só de pirata, na escola. Tu acredita que ela teve a manha de falar bem alto que era fantasia erótica? Já tava entrando no face pra pedir socorro quando a velhinha disse que as mulher hoje não são mais boba, querem gozar, ter prazer e que os home não tão sabendo dar conta delas. Na moral, cara, falou mesmo! Até um baianinho no fundo do busão pediu pra velha pegar leve. Daí ela falou que os homens só ficam ligado na ereção e as mina querem mais e eles tão fugindo da raia, meu, por isso tá cheio de boiola, até nos busão! 

Quando vi meu ponto, véio, apertei o bagulho do sinal e vazei rapidinho, tá ligado? Lá fora, ainda olhei pra trás pra ver se a velhinha não tava me seguindo... Mó bizarro, cara!

Versão sênior

O garoto sentou ao meu lado justamente quando eu estava lendo uma das melhores passagens do livro. Notei que ele ficou meio sem jeito e considerei isso normal, afinal, uma senhora de cabelos brancos lendo 50 tons de cinza dentro de um ônibus não deve ser uma coisa normal para ele. Continuei minha leitura como se nada de anormal estivesse acontecendo. Ele, no entanto, ficava cada vez mais vermelho e teclava aleatoriamente o celular, numa demonstração clara de que estava incomodado e pouco à vontade. Perguntei, então, se ele já havia lido o livro e ele disfarçou o melhor que pôde para não dar a entender a sua curiosidade precoce, pois minha intuição era a de que ele conhecia muito bem aquele conteúdo anormal para uma senhora que poderia ser avó dele. Não vi nada de mais em fazer algumas considerações sobre o tema central da história, ou seja, a falta de preparo dos homens para lidar com as fantasias sexuais e os desejos femininos e que, devido a isso, a maioria deles não está sabendo como lidar com elas, ou satisfazê-las. 

Fiz isso de uma forma didática, para não assustar o garoto; porém, de nada valeu a minha precaução porque ele desceu do ônibus em disparada como se eu estivesse tentando seduzi-lo. Imagina, logo eu, que tenho idade para ser avó dele!


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