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quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Cotidianamente

Desde o início de outubro estou bastante envolvido com Trice, Peter e Maxtrês jovens de uma pequena cidade do interior que vivem às voltas com acontecimentos estranhos e aparentemente desconexos. Trice é uma adolescente de 17 anos, assim como Peter, seu namorado. Max é primo de Trice e, apesar de mais velho, estuda na mesma classe dos outros dois. Apenas os três conseguem perceber as idas e vindas no tempo. Passado e presente se misturam, coisas que haviam acontecido no dia anterior não se confirmam no dia seguinte. Afetados por um aparente acidente nuclear ocorrido numa reserva florestal, eles são levados para um hospital onde tudo acaba sendo encoberto, mas eles não desistem de procurar a verdade. 

Como estou envolvido com eles? Meu papel é transformar Grex, a luz atrás da porta em Grex, the light behind the door. Estou fazendo a versão em inglês do livro de Magali Vaz de Lima, uma escritora que conheci durante evento do Widbook na última Bienal Internacional do Livro. O livro em português está à venda na Amazon - www.amazon.com.br - a versão em inglês em breve estará também. 

Quando tiro um folguinha de Grex, vasculho o nefasto universo do III Reich, lendo o livro Nazismo - como ele pôde acontecer, do jornalista Eduardo Szklarz, tipo de leitura que deve ser bem dosada para não desacreditar definitivamente do ser humano. Para relaxar, pego o livro Comer, rezar, amar, da escritora americana Elizabeth Gilbert, best-seller que rendeu um filme de profundidade zero e que não faz jus ao livro, pois este, pelo menos tem o mérito de mostrar em profundidade a experiência da autora na busca interior de Deus em três países bem distintos - Itália, Índia e Bali. Não é nenhum marco da literatura universal, mas é uma leitura agradável para conciliar o homem com a divindade.

Aproveito os momentos de folga da tradução para rascunhar desenhos do meu livro infantil O menino que morava dentro do homem ainda em fase de texto, mas que pretendo lançar em breve. Outro livro infantil que venho trabalhando a longo tempo é Leonel não viu a Copa, com o texto já finalizado, restando apenas as ilustrações que vão demorar ainda um pouquinho. 

Como ninguém é de ferro, faço hidroginástica às segundas e quartas e fisioterapia todas as manhãs até a próxima sexta-feira (ufa!). Antes de retomar as peripécias de Trice, Peter e Max, sempre rolam as discussões entre eu e meu filho adolescente e eu, como todo pai cinquentão, pego firme no pé do meu geração Y para ver se ele troca um pouco o smartphone, o notebook e o Xbox por um bom livro, uma atividade física e um método tradicional de estudo para o vestibular que se aproxima. Felizmente, ele reage, porque pior do que um adolescente rebelde é aquele que obedece a tudo, sem contestar nem se posicionar. Nossas discussões geralmente acabam em pizza ou em katchup com fritas.

Aproveito o tempo livre para ler o livro Carta sobre o amor e a amizade, do jovem filósofo Leonardo Zoccaratto Ferreira, criador do site Escola de Filosofia - http://escola-de-filosofia.webnode.com - cujas videoaulas sobre diversas obras filosóficas estão também no youtube e, volta e meia estou lá, junto com minha esposa, apreciando as aulas. É lógico, que no meio de todas essas atividades sobra tempo para passear e namorar com a minha adorada companheira das videoaulas de filosofia. Outra atividade que aprecio é trocar informações com meus seguidores e com os que eu sigo no widbook. Não são poucos, mas eu não descuido devido à importância do feedback com uma geração que aprecia ler e escrever.

Mas, por que estou relatando tudo isso? Simplesmente porque, assim como eu, todos os brasileiros e brasileiras têm seu cotidiano o qual preenchem da maneira que lhes dá na telha. Muitos de nós; porém, passam um bom tempo nas redes sociais discutindo, trocando acusações, ofendendo-se mutuamente por conta desta eleição mais acirrada da nova república sem se dar conta de que democracia é o saudável ambiente de encontro das mais variadas ideias e posicionamentos políticos, quer concordemos ou não. O que estamos assistindo, no entanto, é um exemplo de intolerância de ambas as partes no embate final da longa polarização tucanos x bonezinhos vermelhos. Existe um ditado que diz pouco sacana ou muito sacana, somos todos sacanas. O que já deu para perceber há muito tempo é que não existe santos em ambos os lados e que a troca excessiva de acusações sem propostas de futuro para o País não contribui para nada. Vi o primeiro debate do segundo turno e preferi continuar envolvido no meu cotidiano até o próximo domingo quando estarei novamente dedilhando a urna eletrônica. 

Para quem achar que estou me alienando (nossa, fazia tempo que não ouvia esse termo!), convido a ler meu próximo post - Presidenta ou presidento?



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