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sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Mulher, capital de risco

Minha ligação com o teatro é bem antiga, assim como o meu gosto pela literatura de Miguel de Cervantes. Li o Don Quixote aos 14 anos e me encantei com as aventuras do Cavaleiro da Triste Figura. Tenho relido a obra sempre que possível e foi numa dessas releituras que me veio a inspiração para escrever a peça teatral Mulher, capital de risco.

A peça, porém, nada tem a ver com Don Quixote, muito menos com Sancho Pança. Não se passa na Espanha do século XVII e sim na São Paulo do século XXI. Marcelo e Renan são dois grandes amigos que se conhecem desde a infância, estudaram juntos mas tiveram trajetórias distintas. Apesar de ser formado em economia como o amigo, Renan preferiu ser escritor ao passo que Marcelo seguiu a carreira do pai e se tornou diretor geral de um grande banco de investimentos. 

Ao contrário do amigo, Marcelo nunca foi romântico e sempre se autodenominou "predador". Sua vida amorosa segue os mesmos padrões da vida profissional, ou seja, todo predador investe para ter retorno. Mulheres, para ele, são como o mercado de capitais, muitos disputando e poucos conquistando.  A conquista é mais importante do que o objeto em si, por isso, ele nunca fica muito tempo com a mesma mulher. Depois de conquistadas, elas perdem a graça. 

Já Renan é o oposto dele e, por isso, está sempre sofrendo por amor, mas nunca desiste de viver uma grande paixão. Durante uma conferência, ele conhece Carolina, uma estudante de belas artes, filha de um fazendeiro de Minas Gerais. Por ironia do destino, Marcelo encontra os dois depois da palestra de Renan e, seus olhos de predador não a deixam escapar. Depois de várias tentativas, ele desabafa com Renan toda a sua irritação por não ter conseguido nada com a mineirinha. Depois de muito conversarem, Marcelo convida o amigo para morar na mansão dele enquanto escreve seu novo livro. 

Renan fica sabendo que Marcelo continua procurando por Carolina, mas  mudou a tática depois de reconhecer que está apaixonado por ela. Jogou por terra a sua teoria de que mulher é um capital de risco, pois todas são infiéis, e resolveu conquistar Carolina seguindo os conselhos de Renan. Em pouco tempo os dois se casam e Renan acha melhor sair da casa de Marcelo para não interferir na vida dos dois. 

Passados os primeiros momentos de felicidade completa, Renan é surpreendido por uma proposta intrigante do amigo. Marcelo se deixa levar pela ideia fixa de provar a fidelidade da esposa até as últimas consequências e, para isso, pede para que Renan tente conquistá-la. Como seria natural, Renan recusa-se veementemente a prestar tal papel e adverte o amigo de que ele está pondo em risco um relacionamento valioso e que pode vir a se arrepender amargamente. 

Depois de várias recusas, Marcelo consegue convencê-lo a fazer de tudo para levar a sua esposa para a cama, pois se ele se recusar, fará a mesma proposta para um desconhecido qualquer. Não tendo outra saída, Renan aceita a proposta e Marcelo cria diversas chances para deixar os dois a sós, confiando na lealdade do amigo e na fidelidade da esposa.

Ora, caros leitores, todos sabemos que brincar com fogo é pedir para se queimar. Renan finge, mente, inventa mil situações para convencer o amigo de que por mais que ele implore a Carolina, ela em momento algum cede aos seus assédios. Marcelo, porém, se mostra completamente transtornado ao descobrir as mentiras do amigo e, de tanto empurrá-lo para cima da própria mulher, acaba acendendo o pavio do barril de pólvora colocado dentro de casa. 

Mais eu não conto porque não quero frear a imaginação de vocês, caros leitores. Convido-os a clicar no link ao lado, que os levará ao site da Amazon onde vocês poderão adquirir o livro por um preço tão pequenino que mal satisfaria Sancho Pança!

Um texto teatral só se torna completo ao ser encenado e eu, como todo escritor, deixo o caminho aberto para encenadores que queiram levar para os palcos esta moderna história de relacionamentos urbanos inspirada em um história medieval cheia de relacionamentos rurais de homens e mulheres humanos demasiadamente humanos. Os interessados que me procurem.

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