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quarta-feira, 29 de abril de 2015

Informação x comunicação


Continuando o post anterior - E a privacidade, onde fica? - o mundo real é composto de coisas boas e ruins, assim como o virtual. A diferença é que os limites entre coisas boas e ruins no mundo real é mais clara e mais acessível do que no virtual. Hoje, alguém que sofra de bullying não conta mais com o refúgio do lar, que pode existir fisicamente, mas não virtualmente. 

Meus pais, por exemplo, sabiam que quando eu estava em casa, eu estava em casa. Hoje, os filhos podem estar em casa fisicamente, mas virtualmente estão no mundo, comunicando-se 24 horas por dia, twittando, digitando no WhatsApp e nas redes sociais, vendo vídeos que não teriam necessidade de ver (como o de um homem matando uma cantora funk), conversando com pessoas desconhecidas ao mesmo tempo que mal respondem às perguntas dos pais.


Millôr Fernandez, rei das frases, tinha uma que nunca esqueço: "metade da vida do homem é estragada pelos pais; a outra metade, pelos filhos". Sou filho e não acho que a minha vida foi estragada por ninguém, muito menos pelos meus pais. Há dezessete anos sou pai e não vejo nenhuma forma de minha vida vir a ser estragada, sou muito feliz com a paternidade e serei ainda muito mais. Apesar disso, está bem mais complicado ser filhos e pais nos dias de hoje.

Vivemos o século do conhecimento e da comunicação, teoricamente pelo menos. A tecnologia seria a grande deusa capaz de nos presentear com esse mundo novo; o problema é que quanto mais ferramentas dispomos para nos comunicar, mais complicada fica a nossa comunicação. 

Vivemos a época da informação, só não se informa quem não quer. Informação, porém, não é comunicação. Vejo exemplos disso constantemente ao observar os adolescentes de hoje. Eles têm uma infinidade de contatos (na minha mocidade eram "amigos" ou "colegas") conectados full time. Aí vão marcar um simples programa como ir ao cinema, a uma festa ou a um show e fazem tudo por WhatsApp e redes sociais, dificilmente se comunicam por voz nos celulares. Na hora "h" sai tudo diferente do que combinaram. Como não sou da geração "Y" não tenho como avaliar se isso é bom ou ruim para eles, espero que eles se entendam. Como representante da geração analógica, considero isso um desastre na comunicação, com muito menos fazíamos muito melhor. Mas isso é assunto para outra discussão. Até lá, então... 


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