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sexta-feira, 1 de maio de 2015

A sabedoria de mesclar juventude e experiência

Domingo que vem o Santos disputa sua sétima final consecutiva do Paulistão contra o Palmeiras. Independente de quem vença, e ambos têm condições para isso, a maior vitória não está no futebol em si.

O Santos pode ser reconhecido como o clube brasileiro que mais tem retorno com a categoria de base, ou seja, aquele que mais acredita nos jovens valores formados em casa. Deixemos um pouco de lado o futebol e pensemos em empresas modernas. O mercado de trabalho dá mais valor ao funcionário jovem do que ao velho ou mais experiente. 

Hoje, vemos empresas atoladas de jovens inovadores e destemidos, mas, por outro lado, menos apegados a elas. Os talentos são do mercado, não das empresas, e vão para onde têm chances melhores de ascensão. Outro problema: faltam líderes!

O Santos começou o ano como uma empresa que perde, de uma só vez, vários talentos e não tem recursos para substituí-los com o que há de melhor no mercado. A diretoria foi buscar na base os talentos para evitar o previsível fracasso. A mesma base de jogadores jovens do ano anterior que perdeu o título para o Ituano, uma equipe do interior. Em termos de mercado, uma empresa menor e com menos recursos financeiros.

Por que perdeu? Entre outros motivos, porque seus jovens amarelaram. Tinham talento, força, mas faltava experiência. Faltavam velhos na empresa, aqueles que já estão na curva descendente do mercado de trabalho, mas que armazenam grande experiência, justamente o que falta aos jovens.

Chegaram este ano os velhos que faltaram no ano passado. Robinho, Renato, Elano e Ricardo Oliveira, todos acima de 30 anos e ex-jovens vitoriosos na mesma empresa uma década atrás. Robinho, ídolo e líder incontestável, aquele trabalhador criativo que busca resultados para a empresa e não apenas destaque individual. Renato é o trabalhador dedicado, honesto, consciente de seu papel de destruir as jogadas inimigas sem abusar das faltas (em 2002, foi campeão brasileiro sem tomar nenhum cartão). Elano, aquele líder que atua nos bastidores, sem aparecer, no banco, do lado do técnico e dos jogadores reservas. Domingo passado, com a expulsão do técnico, parecia comandar o time do lado de fora. Seria assim como alguém do Conselho da empresa.

Já Ricardo Oliveira, o mais velho, 34 anos, aceitou fazer um contrato de risco durante o Paulistão, com o salário módico (para o futebol!) de 50 mil reais. Seria como um   consagrado executivo abrir mão de um salário de mercado para tentar uma nova chance na carreira. Dedicou-se ao máximo e foi eleito o jogador "revelação" e artilheiro do Paulistão, com 10 gols. Renovou o contrato até 2017, depois de várias idas e voltas devido à procura por outros clubes interessados no seu futebol. Deve receber algo em torno de seis vezes mais o que acertou quando chegou ao clube. 

Finalmente, cabe ressaltar que o técnico atual, Marcelo Fernandesno ano passado, era auxiliar de Oswaldo de Oliveira, técnico do Palmeiras que decidirá o título no domingo. O técnico de um time é como o CEO de uma empresa, responsável pelo sucesso ou fracasso da administração. Marcelo Fernandes nunca foi técnico profissional, mas recebeu um voto de confiança justamente pela empatia que tem com os jogadores. Humilde, fez questão de cumprimentar Oswaldo de Oliveira no jogo passado e deverá fazer o mesmo no próximo. Se ganhar, o aluno terá superado o mestre; sem nenhum demérito ao técnico palmeirense.

No domingo, saberemos quem será o campeão. Se for o Palmeiras, não significa fracasso do Santos e vice-versa. Independente do resultado as duas equipes, ou empresas, são vitoriosas porque o que importa, na verdade, não é a chegada e sim o caminho. 

O Santos dá um grande exemplo de boa administração ao mercado corporativo. Foram até aqui 20 jogos com 14 vitórias (70%), 4 empates (20%) e 2 derrotas (10%). Se considerarmos que empates não são derrotas, são 90% de resultados positivos. Que empresa, hoje, alcança esse patamar no mercado em que atua? Chegou a este resultado simplesmente por que soube mesclar juventude com experiência e esta é a maior lição que fica para empresas e empreendedores.


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