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sexta-feira, 11 de março de 2016

A chatice da polarização


Nosso planeta tem dois polos, o Norte e o Sul. Ambos gelados e muito difíceis para a convivência humana. Já imaginaram como seria terrível se o espaço entre um e outro fosse também gelado e inóspito? Felizmente não é assim, podemos desfrutar de uma infinidade de paisagens, de climas e culturas diferentes. A mesma coisa acontece no mundo das ideias, é a multiplicidade delas que torna os debates mais animados e ricos. Porém, quando o mundo das ideias se polariza, fica tudo muito chato e pobre. Vira tudo direita x esquerda, bem x mal, anti x pró, Fla x Flu, cristianismo x islamismo... 

Essa chatice cresceu de forma avassaladora depois da black friday lulista. No começo até que estava animado, mas, em menos de uma semana os ataques de ambos os lados ficaram tão chatos e passaram a ocupar tanto espaço nas redes sociais que não dá nem vontade de aparecer por lá.

A polarização de ideias reduz a sensatez e a coerência do debate, vira discussão futebolística. Se eu sou Corinthians e você Palmeiras, jamais chegaremos a um consenso, mesmo em mil anos de discussões. O conceito é simples: meu time sempre tem razão. Quando o meu time está jogando contra o seu, o mais importante é a vitória. Às favas as regras do jogo. Se o meu fizer um gol em claro impedimento, eu terei a consciência de saber que o gol foi ilegal, mas não admitirei em hipótese alguma. Se não tiver saída, lasco tranquilamente: roubado é mais gostoso! 

É lógico que isso só acontece com os fanáticos. Quem não é movido por fanatismo não tem problemas em admitir que o seu time venceu, mas não mereceu, jogou pior e foi favorecido pela arbitragem. Por isso, me recuso frontalmente a brigar com parentes e amigos por questões político partidárias. Fazer isso não significa ser apolítico, alienado ou estar sempre em cima do muro. É estar aberto ao debate, é saber ouvir e não tentar impor suas opiniões, principalmente se elas estão aprisionadas num espaço tão pequeno e entre dois polos. Ir às ruas é saudável, desde que não haja agressões nem provocações desnecessárias. É o povo exercendo sua cidadania, seu direito de manifestação, a sua voz, ou melhor, vozes.

Um comentário:

Anônimo disse...

Legal, gordinho.